Site para psicólogo: o que ter, o que o CFP permite e como atender online

Eu trabalho há anos com projetos para a área da saúde, principalmente psicologia e psiquiatria. Neste guia reúno o que um site de psicóloga ou psicólogo precisa ter, o que as normas do Conselho Federal de Psicologia (CFP) pedem e os erros que mais vejo.
Por que psicólogos precisam de site
Quem procura psicoterapia costuma pesquisar com calma, comparar profissionais e ler sobre abordagens antes de entrar em contato. Um site permite explicar como você trabalha, para quem, em que formato e como agendar, com uma profundidade que o Instagram não comporta. Também é o que faz você aparecer quando alguém pesquisa "psicóloga online" ou "terapia para ansiedade na minha cidade".
O que o site de um psicólogo deve ter
- Apresentação: nome, foto real, número do CRP, formação e abordagem.
- Para quem é o atendimento: público (adultos, adolescentes, casais) e demandas com que você trabalha, em linguagem acolhedora.
- Como funciona: presencial, online ou ambos, duração das sessões, frequência, primeira consulta.
- Perguntas frequentes: sigilo, convênio, reembolso, cancelamento.
- Contato: WhatsApp ou agenda, endereço e horários.
- Conteúdo educativo: artigos que respondam dúvidas reais, sem prometer cura.
- Política de privacidade, se houver qualquer coleta de dados.
O que o CFP orienta sobre publicidade
As principais referências são o Código de Ética Profissional do Psicólogo e a Nota Técnica CFP nº 1/2022, que orienta a divulgação em redes sociais e meios digitais. Em linhas gerais:
- Identificação: nome e número de inscrição no CRP em toda divulgação.
- Sem sensacionalismo: nada de promessas de resultado, garantias de cura ou previsões taxativas.
- Preço não é propaganda: o Código de Ética veda usar o preço do serviço como forma de propaganda. Informar valores com sobriedade é diferente de anunciar promoção.
- Títulos e especialidades: só divulgue títulos que você possui e que são reconhecidos. "Especialista" pressupõe título de especialista registrado. "Dr." ou "Dra." não é tratamento adequado para quem não tem doutorado.
- Sigilo: nenhum caso, foto ou depoimento que permita identificar pacientes.
- Responsabilidade: mesmo que uma agência ou profissional de marketing faça o conteúdo, a responsabilidade ética é da psicóloga ou do psicólogo.
Exemplos
| Evite | Prefira |
|---|---|
| "Acabe com a ansiedade em 8 sessões" | "Psicoterapia para adultos com ansiedade, com base na TCC" |
| "A melhor psicóloga da cidade" | "Psicóloga clínica, CRP 00/00000, atendimento presencial e online" |
| "Promoção: primeira sessão pela metade do preço" | Informar valores e formas de pagamento de modo sóbrio, se quiser |
| Relatos de pacientes com detalhes | Explicações gerais sobre o processo terapêutico |
Atendimento online e a Resolução CFP nº 9/2024
A Resolução CFP nº 9/2024 passou a regulamentar a prestação de serviços psicológicos mediados por tecnologias da informação e comunicação, revogando as Resoluções 11/2018 e 4/2020. A principal mudança prática: não é mais necessário o cadastro no e-Psi para atender online. Basta ter inscrição ativa no CRP.
A resolução também atribui ao profissional a avaliação de quando o formato online é adequado em cada caso, com registro dessa avaliação. Leia o texto completo no site do CFP antes de definir como vai apresentar o atendimento online no site.
LGPD: dados de saúde são sensíveis
Pela LGPD, dados referentes à saúde são dados pessoais sensíveis e têm proteção reforçada. No site, isso significa:
- não peça sintomas, diagnósticos ou histórico em formulários de contato;
- prefira que o primeiro contato seja por WhatsApp ou agenda, com o mínimo de informação;
- se usar ferramentas de análise, informe na política de privacidade e peça consentimento para cookies;
- não use pixels de anúncio em páginas que revelem condições de saúde de quem visita.
Detalhes em Política de privacidade e LGPD no site.
E para psiquiatras e outros médicos?
Médicos seguem a Resolução CFM nº 2.336/2023, em vigor desde março de 2024. Ela exige identificação com nome, número do CRM acompanhado da palavra MÉDICO e, para especialidade, o número do RQE. A norma ampliou o que pode ser divulgado, como preços de consultas, com condições. Confira o Manual de Publicidade Médica do CFM.
Google Maps e avaliações
Se você atende presencialmente, crie o Perfil da Empresa no Google. Ao responder avaliações, nunca confirme que a pessoa é paciente nem comente o atendimento.
Os erros que mais vejo
- CRP ausente ou só no rodapé de uma página.
- Textos copiados de outros sites, iguais aos de dezenas de colegas.
- Formulários pedindo "descreva o que está sentindo".
- Fotos de banco de imagem com "pacientes" chorando.
- Site que não funciona bem no celular, onde está a maior parte das buscas.
Em resumo
Um site de psicologia bem feito é sóbrio, acolhedor e claro. Ele explica, identifica a profissional e facilita o contato, respeitando as normas do CFP e a LGPD. Se quiser ver exemplos de projetos na área da saúde, eles estão no meu portfólio.
Perguntas frequentes
Psicólogo precisa de cadastro no e-Psi para atender online?
Não mais. A Resolução CFP nº 9/2024 dispensou o cadastro no e-Psi. Para atender online basta inscrição ativa no CRP, seguindo as demais regras da resolução.
Psicólogo pode divulgar preço no site?
O Código de Ética veda usar o preço do serviço como forma de propaganda. Informar valores de forma sóbria é diferente de anunciar promoções. Em caso de dúvida, consulte o seu CRP.
Psicólogo pode usar depoimentos de pacientes no site?
Depoimentos envolvem risco ao sigilo e podem soar como promessa de resultado. A recomendação é evitar e, em caso de dúvida, consultar o CRP.
O que não pode faltar no site de um psicólogo?
Nome, foto, número do CRP, abordagem e público atendido, formato do atendimento, contato fácil e política de privacidade, além de conteúdo sem promessas de resultado.



